16 de fevereiro de 2013

Sonata para o silêncio

Lembro-me de ter estranhado o silêncio. Um silêncio maior que imenso porque compulsório. Eu não sabia se queria, talvez sequer se o conhecia... O extraterreno sim, aquele das montanhas e penhascos. E o silêncio meditado e premeditado, mas veja bem, assim é fácil. Agora silêncio vida, aí eu quero ver um paulistano se virar. E de repente o silêncio era um abraço quente e interminável.
Janelas milimetricamente vedadas numa cidade com mais árvores que gente. Com mais bicicletas que carros. E o espaço sagrado de cada um. E nas noites, mesmo o som do vidro no galão de coleta era transgressão.
Então eu abria as janelas e tentava ouvir o frio. E esperava a memória viva do bonde passar, o som que me confortava como lembrança de um caos distante. Distante mas tão meu e eu.
Mas um dia, devagar porém num golpe, o silêncio virou casa. E assim também passou a me habitar.
Hoje caos e silêncio sou eu. E agora estou pronta pra me reencontrar.
Porque desde então eu sou caos, silêncio e saudade. E a saudade, dama indecisa, nunca se cansa de trocar de par.

1 comentários:

duh disse...

danço eu, dança você, né? =)

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